Nos posts anteriores, eu falei sobre alguns pontos principais para aprender bem mandarim: querer aprender o idioma e estar disposto a pagar o preço para isso. Algumas pessoas podem perguntar: O Método de ensino é importante? A resposta é: Sem dúvida nenhuma!

No curso lingüístico, conheci os métodos para aprender linguagens estrangeiras dos últimos cem anos. Um deles se chama “direct method”, criado pelo Charles Berlitz no século XIX. Um dia, numa empresa, quando eu esperava meu aluno chegar, uma professora dava aula só em chinês ou inglês numa sala vizinha à que eu estava. A aluna “sofreu” bastante na aula, mas isso é uma pressão que o próprio métido propõem aos alunos. Há outros métodos, como: método de cenário, método áudio-visual, método silencioso…

É bom saber que existe uma diferença essencial entre o mandarim e os idiomas ocidentais: ele foi desenvolvido a partir de figuras; mesmo que tenha sido simplificado hoje, ainda pode ser entendido muito bem sem a pronúncia. Isso quer dizer que a escrita da língua é o principal; a fonética foi criada depois. Portanto, para os alunos que estão começando a aprender do zero, eles praticamente estão aprendendo duas linguagens ao mesmo tempo. Muitos deles focam na pronúncia e evitam a escrita, e isso é um erro grave. Quando o tempo passa, surgem mais confusões, porque os caracteres (ideogramas) chineses são todos monossílabos e existem muitos ideogramas diferentes com uma mesma pronúncia! Se o aluno misturar os tons (geralmente brasileiros só falam em segundo tom), a situação fica pior ainda. Com o PinYin, o aluno não demora muito e já pode falar de tudo em “mandarim”, mas, na verdade, é um analfabeto! Quando ele quiser progredir mais, vai sentir muitas dificuldades, e a maioria desiste no meio do caminho. Se você acha que está indo bem, é bom parar um pouco e refletir se há ou não equilíbrio entre o PinYin e os ideogramas. Não fique acomodado, deixando o tempo passar. As duas historinhas seguintes podem ajudar a lembrar disso.

A primeira história é: um tigre que ficou muito tempo no zoológico foi solto e voltou para montanha junto com um boi. O tigre passou fome, porque ele só comia a carne no prato e não a carne em forma de um boi, o qual ele precisava se esforçar para poder comer.

Outra história conta que um velho leão se aposentou e foi colocado numa região de estepe na África. Os homens que ali passavam viam um fenômeno estanho: o leão caminhava 7 passos de distância de um determinado lugar e voltava, e ficava repetindo o mesmo processo. Depois, as pessoas entenderam que o animal acostumou a vida dele dentro de uma gaiola em que só era permitido andar 7 passos!

Não se acomode, mesmo que a situação seja muito confortável, pois, caso contrário, quem sabe algum dia você estará nas situações do tigre e do leão. Sempre pergunte: “será que eu estou na direção certa?” O grande filósofo chinês, Lao Tzu, disse: “Aquele que é capaz de entender o outro é uma pessoa esperta, mas quem tem compreensão de si mesmo é mais inteligente e sábio!” (知人者智, 自知者明)

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